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Sociedade

PAF: entre a cruz e a espada

Por Almeida Santos
16/08/2026 às 21:46
2 visualizações
2 minutos de leitura
PAF: entre a cruz e a espada
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Foto: Redação

De um lado, a Locks comprando sítios. Do outro, uma antiga ação judicial. No meio, uma comunidade histórica que precisa de apoio para continuar existindo.

O PAF vive um momento de preocupação. De um lado, segundo relatos de moradores, a Locks Agro Landco já teria adquirido oito ou nove sítios que pertenciam a integrantes da comunidade. A própria decisão judicial relacionada à Fazenda Santa Terezinha do Correntes registra a Locks na cadeia de sucessão de direitos sobre a área.

Do outro lado, uma antiga disputa judicial voltou a assustar os moradores. Na quinta-feira, 13 de agosto de 2026, integrantes do PAF receberam uma intimação informando sobre o processo e sobre uma audiência marcada para 21 de agosto, às 15h, em Cuiabá. A decisão, porém, não determina a retirada das famílias.

Mais do que 110 sítios

O PAF é muito mais do que 110 sítios. É uma comunidade que faz parte da história de Ouro Branco do Sul.

É ali que ainda resistem seringueiras ligadas à história da Michelin e onde muitas famílias encontram produtos da pequena produção, como frango e ovos caipiras, limão, carne suína e outros alimentos.

Se os pequenos sítios forem desaparecendo e a área for sendo concentrada em grandes propriedades, não será apenas uma troca de proprietários. Pode desaparecer também uma forma de produção e uma parte importante da vida rural de Ouro Branco do Sul.

Quem vai cuidar do PAF?

É aí que surge outra preocupação: onde estão as políticas públicas e os incentivos para manter essa pequena produção?

O PAF precisa de apoio para que as famílias possam continuar produzindo, preservando as seringueiras e mantendo viva a característica rural da comunidade.

Talvez seja hora de discutir o reconhecimento do PAF como Patrimônio Sul-Ouro-Branquense, além de mecanismos de incentivo para quem preservar as áreas históricas, as seringueiras e a produção rural.

Porque, entre a compra dos sítios e a ação judicial, existe algo que não pode ser esquecido:

o PAF não é apenas terra. É história, produção, famílias e parte da identidade de Ouro Branco do Sul.

E, se não houver uma ação para preservar esse patrimônio, talvez um dia não exista mais o PAF que conhecemos hoje.

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