Comércio de Ouro Branco do Sul enfrenta uma das suas maiores crises.
Da pungencia dos anos 2000 à realidade atual, o comércio sul-ouro-branquense enfrenta inúmeros desafios, entendam quais são.
Quem se lembra de Ouro Branco do Sul no seu apogeu, no início dos anos 2000?
Era um período de grande efervescência econômica na comunidade. A presença da Michelin movimentava a região e trazia um intenso fluxo de pessoas. O comércio sentia diretamente esse movimento.
Era comum encontrar mercados cheios, filas nos caixas e lojas com grande volume de vendas. Havia mais estabelecimentos comerciais, mais pessoas circulando pelas ruas e, consequentemente, mais dinheiro girando dentro da própria comunidade.
O comércio existia, prosperava e fazia parte da dinâmica econômica de Ouro Branco do Sul.
Michelin fecha as portas: um dos maiores impactos para Ouro Branco do Sul
Em 2009, a Michelin anunciou o encerramento de suas atividades de extração e produção de borracha a partir das seringueiras na região.
A decisão representou um impacto muito profundo para toda a comunidade sul-ouro-branquense. Durante anos, a empresa fez parte da história econômica e social de Ouro Branco do Sul, movimentando empregos, empresas, famílias e, consequentemente, o comércio local.
(Prédio comercial na avenida central)
A partir daquele momento, começou uma transformação que, ao longo dos anos, contribuiu para a redução do movimento econômico da comunidade.
Empresas e atividades ligadas à antiga estrutura da Michelin foram, pouco a pouco, deixando a comunidade. Trabalhadores e famílias também seguiram novos caminhos em busca de oportunidades.
Esse processo não aconteceu de uma hora para outra. Foi lento e gradual. Pouco a pouco, Ouro Branco do Sul foi perdendo pessoas, empresas e movimento, e o comércio começou a sentir os efeitos dessa transformação.
Duplicação da BR-163 e retirada da rotatória: a pá de cal no comércio
Se o comércio já vinha enfrentando uma perda gradual de movimento, a duplicação da BR-163 e a retirada da antiga rotatória, em 2016, representaram uma nova mudança na dinâmica de acesso à comunidade.
(Antes da duplicação,antiga rotatória)
(Após duplicação, rotatória destruída)
Durante muitos anos, quem passava pela rodovia tinha a possibilidade de entrar em Ouro Branco do Sul com mais facilidade. O fluxo da BR-163 não ficava apenas na rodovia: parte dessas pessoas acabava entrando na comunidade, abastecendo, comprando, utilizando serviços e movimentando o comércio local.
A rodovia também ajudava a colocar pessoas dentro de Ouro Branco do Sul.
(Antigo Sicredi)
Com a duplicação e a retirada da rotatória, esse acesso mudou. Para quem está passando pela BR-163, entrar na comunidade deixou de ser tão simples como era anteriormente.
A pessoa que antes poderia entrar rapidamente para abastecer, fazer uma compra, tomar um café ou utilizar algum serviço pode simplesmente continuar sua viagem.
Para o comércio local, essa mudança representou uma perda importante de fluxo.
Até o comércio ligado ao agronegócio sente os efeitos da crise
O problema atual, porém, não está restrito aos estabelecimentos tradicionais.
O próprio agronegócio, um dos setores mais importantes para a economia da região, também enfrenta um período de dificuldades. E quando o produtor rural reduz investimentos, adia compras ou passa a ter mais cautela com o dinheiro, os efeitos acabam chegando às empresas que dependem desse setor.
Lojas de máquinas, peças, equipamentos, insumos e outros estabelecimentos ligados ao agronegócio também sentem essa redução de movimento.
Ou seja, até setores que durante muito tempo foram importantes motores da economia local precisam enfrentar um cenário mais difícil.
Para Ouro Branco do Sul, isso significa uma pressão ainda maior sobre o comércio e sobre a circulação de dinheiro dentro da comunidade.
O comerciante agora enfrenta a internet e uma economia mais apertada
Durante muitos anos, o comerciante sul-ouro-branquense precisou competir com as lojas de cidades maiores. Hoje, porém, surgiu um concorrente ainda maior: a internet.
O consumidor pode pesquisar preços, comparar produtos e comprar de grandes plataformas sem sequer sair de casa.
(Antigo consultório de dentista)
Ao mesmo tempo, o orçamento das famílias está mais apertado. O consumidor pensa mais antes de gastar, enquanto o comerciante precisa encontrar novas maneiras de manter suas portas abertas.
É uma combinação difícil: menos dinheiro circulando e mais concorrência.
Afinal, o que podemos fazer?
O Ouro Branco do Sul News acredita que uma das alternativas é aumentar o fluxo de pessoas dentro da comunidade.
Se não é simples fazer quem já mora aqui gastar mais, podemos trabalhar para trazer mais pessoas para cá.
(Ruas limpas e largas)
Melhores acessos, uma nova rotatória, um parque ambiental e de lazer e o projeto do balneário no Córrego das Mangabeiras podem ajudar a criar novos motivos para que pessoas de outras localidades conheçam Ouro Branco do Sul.
Mais pessoas circulando significa mais oportunidades para o comércio e mais dinheiro girando dentro da comunidade.
Ouro Branco do Sul talvez não consiga voltar exatamente ao movimento dos anos 2000. O mundo mudou, a economia mudou e a forma de consumir também mudou.
Mas podemos pensar em um novo ciclo: mais movimento, mais visitantes, novos espaços e novas oportunidades para o comércio sul-ouro-branquense.
O QUE OURO BRANCO DO SUL MAIS PRECISA HOJE?
Ouro Branco do Sul tem história, tem potencial e tem uma população que quer ver o distrito crescer. Mas, na sua opinião, qual deveria ser a principal prioridade neste momento?